Omenagem à hortografia
Francisco José Viegas, Escritor
Asenhora menistra da Educação açegurou ao presidente da República que, em
futuras provas de aferissão do 4.º e do 6.º anos de iscolaridade, os
critérios vão ser difrentes dos que estão em vigor atualmente. Ou seja os
erros hortográficos já vão contar para a avaliassão que esses testes
pretendem efetuar. Vale a pena eisplicar o suçedido, depois de o
responçável pelo gabinete de avaliassões do Menistério da Educação ter cido
tão mal comprendido e, em alguns cazos, injustissado. Quando se trata de
dar opiniões sobre educassão, todos estamos com vontade de meter o bedelho.
Pelo menos.
Como se sabe, as chamadas provas de aferissão não são izames propriamente
ditos limitão-se a aferir, a avaliar - sem o rigôr de uma prova onde a nota
conta para paçar ou para xumbar ao
final desses ciclos de aprendizagem. Servem para que o menistério da
Educação recolha dados sobre a qualidade do encino e das iscólas, sobre o
trabalho dos profeçores e sobre as competênssias e deficiênçias dos alunos.
Quando se soube que, na primeira parte da prova de Português, não eram
levados em conta os erros hortográficos dados pelos alunos, logo houve
algumas vozes excandalisadas que julgaram estar em curso mais uma das
expriências de mudernização do encino, em que o Menistério tem cido tão
prodigo. Não era o caso porque tudo isto vem desde 2001. Como foi
eisplicado, havia patamares no primeiro deles, intereçava ver se os alunos
comprendiam e interpetavam corretamente um teisto que lhes era fornessido.
Portantos, na correção dessa parte da prova, não eram tidos em conta os
erros hortográficos, os sinais gráficos e quaisqueres outros erros de
português excrito. Valorisando
a competenssia interpetativa na primeira parte, entendiasse que uma
ipotetica competenssia hortográfica seria depois avaliada, quando fosse
pedido ao aluno que escrevê-se uma compozição. Aí sim, os erros
hortográficos seriam, digamos, contabilisados - embora, como se sabe, os
alunos não sejam penalisados: á horas pra tudo, quer o Menistério dizer;
nos primeiros cinco minutos, trata-se de interpetar; nos quinze minutos
finais, trata-se da hortografia.
Á, naturalmente, um prublema, que é o de comprender um teisto através de
uma leitura com erros hortográficos. Nós julgáva-mos, na nossa inoçência,
que escrever mal era pensar mal, interpetar mal, eisplicar mal. Abreviando
e simplificando, a avaliassão entende que um aluno pode dar erros
hortográficos desde que tenha perssebido o essencial do teisto que comenta
(mesmo que o teisto fornessido não com tenha erros hortográficos). Numa
fase posterior, pedesse-lhe "Então, criançinha, agora escreve aí um teisto
sem erros hortográficos." E, emendando a mão, como já pedesse-lhe para não
dar erros, a criancinha não dá erros.
A questão é saber se as pessoas (os cidadões, os eleitores, os profeçores,
"a comonidade educativa") querem que os alunos saião da iscóla a produzir
abundãnssia de erros hortográficos, ou seja, se os erros hortográficos não
téêm importânssia nenhuma - ou se tem. Não entendo como os alunos podem
amostrar "que comprenderam" um teisto, eisplicando-o sem interesar a
cantidade de erros hortográficos. Em primeiro lugar porque um erro
hortográfico é um erro hortográfico, e não deve de haver desculpas. Em
segundo lugar, porque obrigar um profeçor a deixar passar em branco os
erros hortográficos é uma injustiça e um pressedente grave, além de uma
desautorizassão do trabalho que fizeram nas aulas. Depois,
porque se o gabinete de avaliassão do Menistério quer saber como vão os
alunos em matéria de competenssias, que trate de as avaliar com os
instromentos que tem há mão sem desautorisar ou humilhar os profeçores.
Peçoalmente, comprendo a intensão. Sei que as provas de aferissão não
contam para nota e hádem, mais tarde, ser modificadas. Paço a paço, a
hortografia háde melhorar.
Francisco José Viegas escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras
In: JN - 04.06.2007